Viagens que transformam: LAOS

IMG-20171008-WA0089Quanto mais gosto de um lugar, mais fico hesitante em escrever sobre ele. Sempre acho que as palavras que escolheria nunca seriam suficientes para descrever tudo que vi e senti nas viagens que me tocam. O Laos, e especialmente Luang Prabang, é um desses destinos. Já escrevi e apaguei milhares de palavras, pois sinto que nenhuma faz jus ao que esta cidade é. Além da beleza natural, a beira do Rio Mekong, Luang Prabang proporciona uma experiência espiritual difícil de descrever.

Para contextualizar, apenas o pequeno centro concentra mais de 34 templos budistas protegidos pela UNESCO, que abrigam mais de 1000 noviços e monges. No Laos, muitas famílias de zonas rurais mandam seus filhos para os templos para virarem noviços pois no templo eles tem acesso a educação, algo que para famílias que moram em vilas afastadas é muito difícil oferecer para as crianças. Quando atingem a maioridade podem decidir se seguem como monges ou se vão seguir outro caminho. O nosso guia, por exemplo, tinha sido noviço em um templo. Foi super bacana dividir esses dias com ele pois ele nos contou muita coisa sobre a vida no Laos. Algumas curiosidades que soubemos por ele:

  • Muitas pessoas no Laos (inclusive ele mesmo) não sabem exatamente a idade que têm. Ele estimou a época que nasceu (sabia que era durante a época das chuvas) e aproximou o ano de acordo com os colegas dele. E assim se registrou.
  • O Laos é um país comunista (estabelecimentos comerciais tem que colocar a bandeira comunista na porta), mas as pessoas tem liberdade para montar suas empresas.
  • No Laos um homem pode legalmente ter mais de uma esposa. Nosso guia só tem uma, mas diz que vários amigos tem mais. Todos moram juntos na mesma casa.
  • O Laos foi o país mais bombardeado pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Chegaram a jogar uma bomba a cada 8 minutos no país. A Guerra Civil no Laos era financiada pelas grandes potencias da guerra fria e mais de 30% da população morreu em decorrência dela. Mas ninguém fala muito nisso. A Guerra é chamada de Secret War. Muita gente ainda morre hoje por conta de bombas que explodem tardiamente.
  • Existem mais de 160 grupos étnicos no Laos. Cada um tem sua forma de se vestir, de construir casas e falam sua própria língua.
  • Moradores das Vilas se mobilizam para ajudar a construir novas casas para pessoas da aldeia. Escolhem um dia e todos da vila param para ajudar na construção.
  • No Laos não existem moedas. Só notas. No interior ainda se faz muito escambo.
  • Os monges só fazem duas refeições por dia e usam somente alimentos doados pela população (ou turistas). A primeira é pela manhã, depois do Tak Bat (tradição ao raiar do sol em que eles recolhem alimentos, principalmente arroz, pelas ruas de Luang Prabang). A segunda é o almoço, após as aulas da manhã, em que usam o que sobrou do café da manhã para prepara-lo.

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Nós tivemos o privilégio de conversar com um noviço, de apenas 16 anos. Ele nos contou que foi para o templo com oito anos e desde então não viu mais sua família. Entende que foi importante para que ele conseguisse estudar, mas tem planos de deixar o templo, fazer uma faculdade e seguir uma outra carreira. Os noviços gostam de conversar com turistas para praticar um pouco do inglês, então ficamos uns quinze minutos conversando sobre a rotina no templo. Ele adorava futebol e conhecia os Ronaldos todos (o português e os dois brasileiros). Lamentou que não podia jogar, já que os monges não podem praticar exercícios físicos pois distraem a mente (obrigam movimentos mais rápidos e faz sair do estado de consciência 100% da mente).

Das coisas que mais amei dessa viagem foi o contato com as pessoas. Como são felizes! E uma das frases que mais me marcou e transformou em toda essa viagem foi o que o nosso guia disse sobre a pobreza no país: “Aqui no Laos não somos pobres. Pobres são aqueles países em África onde as pessoas morrem de fome. Aqui temos comida em abundância, seja do Mekong, seja da terra. Temos lugar para morar. Temos escolas. Somos felizes. Não somos pobres. Só não temos dinheiro.” Como não se emocionar? Impossível! Por isso insisto: vão ao Laos! Conheçam Luang Prabang, conversem com as pessoas na rua, perguntem muito…. Nada mais transformador do que vivenciar uma cultura assim!

O Laos deveria ser parada obrigatória para quem vai para o sudeste asiático. Como é muito difícil traduzir em palavras tudo que fizemos por lá, resolvi fazer um vídeo (além do youtube coloquei aqui no fim do post) para que vocês possam sentir um pouco do que foi essa viagem . Vou deixar também um roteiro mais objetivo para ajudar na prática quem quer conhecer a região, além de algumas informações importantes. Nosso roteiro foi de 3 noites, espero que gostem!

IMG-20171007-WA0072Dia 1:

16h00: Chegada ao hotel

19h00: Jantar 3 Nagas para conhecer a excelente comida local.

21h00: Night Market na rua principal da cidade. O artesanato é local. Quando passamos nas vilas pudemos ver as mulheres fazendo as pashminas e bolsas para vender no night market.

 

 

Dia 2:

05h00:  Takbat (morning Alms) – Leve o arroz pronto do hotel ou espere que o guia indique de quem comprar. As mulheres devem estar sentadas para oferecer o arroz aos monges. Já os homens podem ficar de pé.

09h00: Tour a pé pela Cidade – Visita ao museu de história do Laos (no palácio), e aos templos budistas da cidade. Imperdível o Wat Xieng Thong . Mulheres, sempre com ombros e joelhos cobertos para entrar na área dos templos.

16h30: Passeio de barco para ver o Pôr do sol no Mekong.

Dia 3:

08h00:  Tour pelas vilas ou passeio de barco pelas cavernas. Nós fizemos o tour pelas vilas porque eu AMO ver como os locais vivem, conversar com as pessoas, etc. Mas muita gente opta por fazer o passeio pelas cavernas, que são LINDAS e repletas de Budas. Se tiver tempo para fazer os dois, melhor ainda! O bom é que precisamos voltar para conhecer as cavernas!

17h00:  Por do sol em Pouh Si – Templo no alto de um morro, onde é possível ver o pôr do sol sobre a cidade.

Dia 4:

08h00: Kuang Si Falls – Cachoeiras lindas, com água turquesa. Vá cedo que tem menos gente. A tarde fica muito cheio.

12h00: Check-out e aeroporto

Onde Comer: 3 Nagas. Gostamos tanto que repetimos o restaurante. Comida típica do Laos, experimentamos algas do Rio Mekong, peixe do Rio Mekong, carne de búffalo, e currys deliciosos! Recomendo!

Onde ficar: Sofitel. O hotel fica em uma antiga casa colonial francesa, serviço excelente e quartos muito confortáveis. Amei!

Guia: Ken. Ele fez toda a diferença nessa viagem. Contato: kenjobsher@gmail.com

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